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Fidelidade

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ImageSer crente numa época de incredulidade não é fácil. Ainda mais quando começam a surgir novos modelos de fiéis, influenciados em demasia pelo mundo, apegados a valores que não são cristãos, disfarçados em uma liturgia agitada que lembra mais uma catarse de religiões esotéricas do que o culto que a Bíblia recomenda. O arrependimento sincero deu espaço à emoção fácil, que não gera mudança. O louvor que liberta foi substituído pela 'ginástica aeróbica' que não deixa o Espírito agir, a não ser nas mãos de alguns 'iluminados', que se anunciam com o monopólio do acesso a Deus. E o dinheiro se concentra nas contas de alguns líderes pseudocristãos. É a manifestação do comércio na Igreja - II Pedro 2:2-4. Vivemos a era do sentimento. Ao contrário da fé, da razão, da Palavra e da verdadeira experiência.

Por outro lado, encontramos pastores que parecem ter se desviado para a Filosofia Pura, ao invés do cristianismo. Têm uma relação burocrática com a igreja. Consideram que um culto dominical é mais que sua obrigação e que as pessoas não precisam ser acompanhadas durante a semana. Vemos igrejas que só abrem aos domingos, com seus líderes, para quem 'tudo é normal', imersos no relativismo cultural, que fazem suas ovelhas perderem a identidade genuína cristã, que inclui se levantar contra a ética e a moral vigente, lutar pelo Reino de Deus. É gente que tem o discurso perfeito para as autoridades humanas, ainda que sem vida espiritual - I João 4:4-6.

Como ser crente em meio a dois extremos: de um lado a manipulação da multidão e do outro a frieza de quem perdeu a fé?

Além disso, a sociedade na qual estamos imersos - ocidental, de herança cultural cristã, capitalista, predominantemente urbana e moderna - passa por uma crise sem comparação em sua essência. Para nos concentrarmos apenas no tema de nosso estudo, FIDELIDADE, podemos perceber que a inconstância se instalou.

Até pouco tempo atrás, uma pessoa comum tinha praticamente toda sua vida definida ao nascer. Estava determinado qual seria sua profissão (geralmente a mesma dos pais), onde ela moraria (nas terras onde nascera), com quem se casaria (organizado pelas famílias), quem seriam seus vizinhos, se estudaria ou não, a denominação religiosa nunca seria alterada, qual seu estilo de vida e até, mas ou menos, como deveria pensar e agir para se encaixar nesse modelo pré-determinado de vida. A regulação social era tão intensa que não havia como sequer imaginar-se diferente do que se esperava. A não ser sob um custo muito alto de se tornar um 'pária', alguém rejeitado por todos, que viveria às margens e abandonado pelo sistema.

De repente, com as grandes mudanças ocorridas graças a uma série de inovações resultantes da Ciência - destacam-se os meios de transporte coletivos e individuais, a energia elétrica, os meios de comunicação individual e de massa, a medicina, a maior produção de alimentos, as tecnologias aplicadas ao trabalho e à produção - foram criadas as condições para que o mundo alterasse sua maneira de ser e até suas ideologias.

O mundo está imerso na prostituição apocalíptica - que é a idolatria e o antropocentrismo, o homem como medida de todas as coisas - desde antes da vinda de Jesus, permanecendo nesse estado até os dias de hoje, apesar do anúncio do evangelho. E assim será até a interjeição final de Deus, antes do Novo Céu e da Nova Terra - Apocalipse 18:1-4. Não é a modernidade tardia que causou isso, mas o pecado e a cobiça que domina a raça humana desde sua rejeição ao governo de Deus - I João 3:8-10 e Tiago 1:12-15.

Nos dias de hoje, para fazer frente às mudanças sociais, ser crente exige a radicalização com o evangelho. Não é de fanatismo que estamos falando. A preocupação não é que com os costumes - roupa, cabelo, comidas ou estilos de louvor - e sim com a Doutrina. Os cristãos precisam voltar-se para a Bíblia, a oração e a comunhão sincera, se quiserem ter mais clareza e vencer os caminhos turvos que se apresentam.

Quando falarmos de FIDELIDADE atualmente poderemos ser tachados de antiquados ou loucos. As pessoas encontram mais liberdade de escolher o local onde viver, qual profissão vão exercer, qual religião se filiar, com quem se casar e a democracia - é a menos pior forma de governo, segundo Winston Churchil, primeiro ministro britânico à época da Segunda Guerra Mundial, ainda que imperfeita no exercício de manipulação e em meio aos poderes econômicos - garante a possibilidade de escolha dos governantes. Tudo isso é muito bom, conquistas da humanidade. É claro que existem pressupostos para esses exercícios de escolha, que passam também por um sistema social que garanta os direitos humanos em todos seus desdobramentos, tais como: saúde, educação, segurança, liberdade de expressão, habitação e alimentação - algo ainda distante da maioria da população mundial.

Além dessas novas possibilidades que se descortinaram, a pressão social também diminuiu consideravelmente no que se refere a separações de casais, definição de sexualidade, crenças pessoais e participação em grupos sociais diferenciados. Ou seja, uma maior a liberdade de escolha refletida se estendeu também às questões privadas, de cunho pessoal. Nosso objetivo aqui não é discutir as vantagens ou desvantagens desse novo mundo, mas uma conseqüência já pode ser percebida: a infidelidade se estendeu a todas as áreas da vida, gerando muita insegurança e medo nas pessoas. Os laços que mantinham a rede de relacionamentos ativa, unida e de fácil compreensão foram rompidos e ainda não se estabeleceram com clareza quais os novos caminhos de fortalecimento do tecido social. Se entendermos FIDELIDADE como uma constância, uma referência imutável, uma coerência mesmo em meio às maiores crises, a sociedade está em guerra com Deus. Pois Deus é FIEL, não muda, não mente e nem se arrepende - Números 23:19; I Samuel 15:29; Malaquias 3:6; Tiago 1:17.

A Era do Entretenimento, difundida pelos meios de comunicação de massa, a chamada Mídia, privilegia o ritmo alucinante, a novidade, o impacto emocional crescente, a superficialidade e o individualismo. Tudo em prol do estímulo ao consumo. Essa diversidade de histórias, realidades e incitamentos têm causado uma fragmentação que se reflete no descompromisso com instituições, pessoas, famílias e crenças. E isso vai de encontro com o princípio da sabedoria, que anuncia uma aliança eterna com aqueles que amam a Deus e respeitam seus estatutos - Deuteronômio 7:9-10; I Coríntios 1:9. O mundo se aborrece de Cristo, que é a revelação máxima da FIDELIDADE de Deus - Isaías 49:7.

Deus é FIEL a si mesmo, mesmo quando somos infiéis - II Timóteo 2:11-13. Deus escolheu fazer o homem à sua imagem e semelhança por amor, dando a nós Livre-Arbítrio, mesmo sabendo do potencial destruidor de nossas escolhas. É escolha Dele. Também determinou que permaneceria FIEL a uma aliança para com todos aqueles que O buscassem, que O amassem acima de todas as coisas - Teocentrismo, Deus como prioritário e como medida de todas as coisas. Escolha Dele. E Ele permanece FIEL ao que determinou para Si mesmo e para a humanidade. A Sua encarnação como homem, Jesus Cristo, Deus encarnado, foi a manifestação suprema de Sua FIDELIDADE e propósito de salvação. O máximo de amor no máximo de humildade - Filipenses 2:5-11.

Ser um crente FIEL é corresponder à FIDELIDADE de Deus. É andar em constância com Cristo - II Tessalonicenses 3:1-5. É ter altos e baixos, mas ainda assim permanecer - Deuteronômio 23:21-23. É achar tudo 'meio chato' às vezes, mas ainda assim se dedicar à obra do Senhor. É se sentir sozinho, isolado e usurpado pelos outros, mas ainda assim se dedicar, sabendo que a obra é Dele e não sua. É o exercício da misericórdia para com os mais fracos e inconstantes. É ser chato por ser tão previsível. Ser FIEL a Deus é se tornar uma referência de 'aborrecimento', assim como Cristo, para que as pessoas - em meio às inconstâncias e reviravoltas da vida - encontrem em você um baluarte de fé, luz e orientação para ser feliz - Salmo 119:88-94.

A resposta de Deus é sempre segundo à Sua FIDELIDADE e justiça. Diante do fato que não há nenhum justo sequer que permaneça diante do Senhor, somente a Sua FIDELIDADE à Sua própria misericórdia garante uma existência viva e feliz - Salmo 146:1-2,7-11.

Igreja Metodista Central em Santo André (SP)
Classe de Jovens Escola Dominical 29/02/04
Luciano Sathler

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